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Curitiba/PR, Sábado, 19 de Setembro de 2020

A Proteção das Florestas pelos Engenheiros Ambientais

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No dia 17 de julho é comemorado o Dia do Protetor das Florestas, culturalmente essa data está ligada ao personagem do folclore brasileiro o Curupira, mas você sabia que o engenheiro ambiental também atua protegendo as florestas e seus remanescentes?


O engenheiro ambiental mestre e especialista em geoprocessamento Rafael Luiz Diodo da Rosa, sócio e RT da MOR Gestão Ambiental e Florestal, destaca que o profissional de engenharia ambiental tem papel importante na proteção das florestas. Principalmente em nosso estado, detentor do maior remanescente da Mata Atlântica do País

O Engenheiro Ambiental, após estender suas atribuições junto ao CREA, através da apresentação de grade curricular compatível e/ou especialização, pode atuar na delimitação das áreas de floresta, utilizando-se de ferramentas ligadas a geotecnologias.

A delimitação realizada pelo Engenheiro Ambiental, vinculada a sua qualificação, elaborada por um profissional habilitado, contribui significativamente na gestão da propriedade, seja ela rural ou urbana.

Os órgãos federais possuem vários serviços de controle e administração de informações fundiárias e ambientais como:

  • Cadastro Nacional de Imóveis Rurais - CNIR (INCRA/RFB)
  • Cadastro de Imóveis Rurais - CAFIR (RFB)
  • Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR (RFB)
  • Ato Declaratório Ambiental – ADA (IBAMA)
  • Declaração para Cadastro Rural - DCR (INCRA) 
  • Sistema de Gestão Fundiária - SIGEF - (INCRA)
  • Certificado de Cadastro de Imóvel Rural – CCIR (INCRA)
  • Cadastro Ambiental Rural - CAR (MMA)

Os profissionais de engenharia ambiental podem atuar na coleta e tratamento de dados gráficos e não gráficos (alfanuméricos), georreferenciados, afim de alimentar esses sistemas de forma consistente e, principalmente, com informações coesas entre os cadastros.

Como o CAR, por exemplo, que tem a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais referentes ao uso do solo, áreas com restrição de uso, mas principalmente no que diz respeito a remanescentes de florestas e demais formas de vegetação nativa, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.


O engenheiro ambiental Julián Segura trabalha na Prefeitura da Bogotá na Colômbia, e atua com o monitoramento de biodiversidade na principal estrutura ecológica (EEP) da cidade.Segundo Julián, “Nas áreas urbanas protegidas é onde grande parte da biodiversidade é encontrada, pois oferecem heterogeneidade e complexidade de habitats às espécies que vivem dentro de uma matriz transformada”. Por esse motivo, o monitoramento é uma etapa fundamental na conservação da biodiversidade.


O trabalho desse engenheiro ambiental consiste em identificar e consolidar um inventário de aves, mamíferos, anfíbios e répteis presentes na EEP em Bogotá. Além disso, suas atividades abrangem a avaliação dos efeitos da fragmentação do ecossistema e a proposição de medidas de prevenção e mitigação para o gerenciamento de áreas protegidas.




Junio da Silva Luiz é engenheiro ambiental e Mestre em ciências ambientais, e possui experiência do estudo da relação das nascentes e os ecossistemas dependentes de águas subterrâneas. A expansão da agropecuária e da urbanização acarretaram modificações no ciclo da água, além disso a extração intensificada de água subterrânea afetam diretamente ecossistemas dependentes e suas expressões.






Imaginem que certo grupo de árvores, quem possuem raízes não profundas, agora já não conseguem acessar um deu seus recursos essenciais, a água. Isso coloca em risco toda a capacidade de existências de determinadas espécies. Sabemos que existem espécies mais dependes de águas subterrâneas que outras, a dificuldade é identificar as espécies mais dependentes, e quantificar qual é o limite de tolerância destas espécies, e atribuir valores máximos de uso das águas subterrâneas que não as afetem.


Para Junio, o engenheiro ambiental é preparado para ter uma visão sistêmica dos diversos impactos causados pelas ações humanas nos diferentes ecossistemas. E no caso específico das florestas, consegue atuar conjuntamente com outros profissionais da área, como engenheiros florestais e biólogos, e fazer a integração dos estudos nos diferentes meios, solo, recursos hídricos, recursos florestais, e assim propor ações e políticas públicas eficientes para minimizar danos em um sistema de relações complexas.



Uma das áreas de atuação da engenheira ambiental Paula Fernanda é a meliponicultura, a criação de abelhas. As ASF - abelhas nativas sem ferrão (meliponíneos) são os responsáveis polinizadores mais importantes para a preservação das florestas. Deste modo, a polinização consiste em um serviço ecossistêmico de regulação prestado pelas abelhas nativas, processo natural pelo qual os ecossistemas e as espécies que os compõem sustentam e beneficiam as populações humanas, por meio da preservação da rica biodiversidade das florestas, e também na produção de alimentos, como os frutos.

As abelhas nativas, também conhecidas como abelhas indígenas (presentes no ambiente natural brasileiro desde sempre) vivem muito bem adaptadas à vegetação local de cada região, e assim sendo, as muitas árvores da floresta servem de subsistência paras elas. Considerando que a principal função do profissional de Engenharia Ambiental consiste no desenvolvimento de técnicas para a preservação e conservação do meio ambiente equilibrado, tendo em vista a promoção do desenvolvimento sustentável (ambiental, econômico e social), o trabalho direto e indireto com as abelhas nativas sem ferrão mostra-se mais uma alternativa de atuação profissional da Engenharia Ambiental. (EMBRAPA, 2008; FAPESP, 2014).